quarta-feira, 20 de julho de 2016

{Crônica} O melhor fim de semana

Foram necessárias mais ou menos duas horas para eu tomar a decisão, duas horas sentada com uma xícara que foi de chocolate em minhas mãos no sofá de uma casa no interior, uma casa que foi da minha avó paterna. Lembrei e refleti um pouco... Eu não podia negar que estava sentindo falta das pessoas mais importantes das piores fases da minha vida. Peguei o telefone, os três concordaram em estar aqui na sexta.

Foi quando a Belle quase me derrubou da mureta amarela da varanda com um abraço que eu tive realmente noção de quanta falta ela tava fazendo na minha vida. Ela, que desde quando nos conhecemos fazia quase tudo de forma contrária à minha e mesmo assim me mostrou de verdade o que era ter um amigo... Retribui em um dos abraços mais apertados que já dei, cheio de saudade, um pedido de desculpas por todas as confusões, todas as coisas que nunca disse mesmo falando muito.

Nico, que conheci alguns anos antes de Belle aparecer na minha vida, mas que se aproximou de mim na mesma época, estava bem atrás da gente, com um sorriso meio tímido, me encarando; sorri de volta e o abracei, ainda me sentia muito baixa perto deles, principalmente em um abraço triplo, como o que tivemos.

Só faltava uma pessoa, quando olhei para o portão ele estava lá, observando nós três. Mesmo que a aparência do Vi tenha mudado muito nesses últimos meses, a expressão de felicidade de um encontro não mudava nunca, e mais uma vez, meus pés saiam do chão com o abraço dele.

Foi um final de semana tranquilo e até comum, mas bom pra cada um de nós, um reencontro em uma cidade pequena e desconhecida por muita gente, após as bagunças das fases da vida. A ida até uma pizzaria, uma mini discussão pra decidir o sabor (amo frango com catupiry), os três me falando o caminho inteiro de volta pra casa que eu derrubaria a comida, o som do violão da Belle e o coro das vozes sem muita afinação, as risadas vendo séries e lembrando nossos melhores momentos juntos...

O melhor mesmo nem foi a comida, ou a música ou a série, o melhor disso tudo era que eram eles, aqueles amigos que sempre fizeram tudo sempre ser mais do que pequenas coisas, amigos que sempre fizeram tudo valer a pena. Agradeço todo o tempo por eles estarem comigo, nunca acreditei naquilo de quem tem um amigo tem tudo, mas eles três acabaram me provando isso da melhor forma possível,  ficando, pra rir ou pra chorar, mas por perto.